Por todos os lados, Niemeyer

7 dez

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Como vocês sabem, no último dia 5 o arquiteto Oscar Niemeyer faleceu, aos 104 anos. Tanto nós como ele sabíamos que viver esse tanto que ele viveu não é para qualquer um e que, a essa altura do campeonato, a qualquer momento essa hora chegaria. Nunca o conheci, nunca o entrevistei, mas, de certa forma, desde muito cedo ele fez parte da minha vida. Tenho uma mãe arquiteta, sou nascida em Niterói, a segunda cidade brasileira com mais obras de sua autoria, e há três anos vivo em Brasília. Sempre estive cercada por Niemeyer.

Foi emocionante ontem ver o caixão que o carregava passar pela Esplanada dos Ministérios, bem em frente ao Ministério do Planejamento, onde trabalho, de frente também para a Catedral de Brasília, uma de suas obras mais lindas e conhecidas como tantas outras aqui do Plano Piloto.

Assim que soube de sua morte, à noite, comecei a ler e assistir diversas coisas que passavam sobre ele. Foi bom poder entender melhor porque ele, além de talentoso, também era querido por tanta gente. Uma das melhores entrevistas que li feitas com ele foi dada em 2005 ao Brasil de Fato.

Nela, quando perguntado sobre o que seria uma arquitetura mais igualitária, ele respondeu com um exemplo:

“(…) Quando o governo decide fazer uma escola perto das favelas, a idéia é sempre fazer algo mais pobre. Isto é errado. Recentemente, projetei uma biblioteca e um teatro em Caxias. Fiz como se fosse para Copacabana, o projeto mais audacioso possível. Não pode haver discriminação. (…)” 

E repare: suas obras públicas são todas assim, monumentais. Afinal, quem não gosta de viver em uma cidade, eu um país, com prédios e espaços bonitos? Todo mundo gosta e merece. A gente vive até mais feliz assim.

E falando em viver feliz, é assim que ele responde sobre o que é a vida: “A vida é a mulher do lado e seja o que Deus quiser”. Ou seja, simples assim, sem querer complicar. Acho que essa descomplicação se reflete em seus desenhos feitos de linhas puras, limpas, preto no branco, branco no preto (ok, talvez os únicos que discordem do termo “descomplicado” sejam os engenheiros que faziam os cálculos de seus projetos, rs).

Ele também sempre dizia que todo arquiteto deveria, além de estudar as coisas da sua área, estudar filosofia, ler muito, de tudo um pouco. Nossa, como concordo com isso.

Foram muitas lições deixadas por Oscar. Tomara que a gente consiga aprender o melhor delas.

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Uma resposta to “Por todos os lados, Niemeyer”

  1. Minha Casa, Minha Lida dezembro 10, 2012 às 1:04 pm #

    Oi, Carol. Gostei muito do que você escreveu. Niemeyer é um grande símbolo brasileiro, não apenas na arquitetura. Interessante como somos uma terra que respeita a grandeza de seus artistas, sejam eles pintores, políticos, arquitetos ou atletas. Digo isso porque muita gente talvez não conheça as famosas obras de Niemeyer pessoalmente, mas isso não impede que sua vida seja admirada e respeitada. Ele se tornou um exemplo de bem pra nós, de superação. Que bom!
    Um beijo e tenha uma boa semana.

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